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Moedas

Governo Lula libera milhões em emendas a membros da CPMI do INSS

Entre os beneficiados estão parlamentares de diversos partidos, inclusive da oposição.

A instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades envolvendo aposentados do INSS começou cercada de polêmicas. Embora o governo Lula tenha perdido a disputa pelo comando da comissão no voto, liberou mais de R$ 200 milhões em emendas parlamentares para deputados e senadores que integram o colegiado.

De acordo com o levantamento, realizado com base nos pagamentos e empenhos feitos em agosto — mês da criação da CPMI —, ao menos R$ 113,7 milhões foram efetivamente pagos e outros R$ 90,8 milhões empenhados, configurando uma espécie de “cheque garantido” para futura liberação.

Emendas milionárias e exceções
Entre os beneficiados estão parlamentares de diversos partidos, inclusive da oposição. O único caso em que não houve liberação de recursos é o da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), responsável por propor a criação da comissão. Já o senador Izalci Lucas (PL-DF), recordista em requerimentos, foi um dos que mais recebeu valores.

Outro destaque é o PDT, partido que comandava o Ministério da Previdência à época do escândalo e que mantém influência na área. Somados, os três parlamentares da sigla na CPMI receberam R$ 18,1 milhões em emendas.

Acusações de blindagem
Críticos afirmam que a distribuição dos recursos reflete a chamada “velha política”, utilizada para garantir influência sobre os trabalhos da comissão. O receio é de que haja um acordo entre governo e oposição para limitar as investigações.

Um dos pontos que mais gerou desconfiança foi a decisão de não convocar, neste momento, sindicalistas e dirigentes de associações suspeitas de envolvimento no desvio de recursos de aposentados. Entre os nomes mencionados está o de Frei Chico, sindicalista ligado ao PT, cuja entidade teria sido uma das mais beneficiadas.

“Pizza” à vista?
Além da blindagem a possíveis investigados, o regimento interno da CPMI também foi alvo de críticas. Os parlamentares decidiram que requerimentos só serão votados em bloco — cerca de 30 a 40 por sessão — e somente se houver acordo entre líderes governistas e oposicionistas.

Para opositores, o modelo dificulta a individualização das convocações e abre espaço para barganhas políticas. “O cheiro de pizza já começa a ser sentido”, disse um dos integrantes da comissão.

A oposição, que inicialmente se mostrava combativa, também mudou o tom. O senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos mais ativos defensores da investigação, passou a adotar discurso mais cauteloso sobre convocações.

Risco de esvaziamento
Especialistas em controle e investigação apontam que a CPMI pode perder sua principal função: seguir o rastro do dinheiro público desviado. Para eles, a soma de emendas liberadas e os acordos de bastidores sugerem que a comissão pode terminar em um relatório consensual, mas esvaziado, com poucas consequências práticas.

Enquanto isso, aposentados e pensionistas, principais vítimas do esquema, aguardam respostas concretas sobre o paradeiro dos recursos desviados.